Divulgação: Um Fio de Esperança, por Raquel Machado

18 junho 2015

Olá pessoal, hoje vim trazer um conto muito legal e que me deixou intrigada, ele foi escrito pela nossa querida autora parceria aqui do blog, a Raquel Machado. Ela está participando de uma Oficina da Literatura Fantástica na cidade de Caxias do Sul - RS, que é ministrada pela Ana Julia Poletto. 

O tema do conto é "E se seu maior medo se tornasse realidade?"

Vou deixar aqui o conto na íntegra para vocês conferirem.




Um Fio de Esperança



Por Raquel Machado


Acordo com as batidas incessantes na porta. É noite ou dia? Não que isso tenha relevância.
Levanto de mau grado e arrasto-me até a entrada da pequena casa. Abro a porta pronta para xingar quem quer que seja, porém nada consigo ver. Uma rajada de vento me atinge, o que me faz sentir um calafrio repentino, a chuva se aproxima.
Decido procurar alguma coisa para comer. Entro em casa e abro os armários, porém eles estão vazios. Tão vazios como minha própria alma. Ao fundo avisto um pacote de bolacha, que vai servir.
Sento na mesa e vejo um inseto correndo sobre ela. Não é exatamente uma barata nem tampouco um besouro, parece algo dos dois. Bicho nojento. Mato-o sem dó.
Abro o pacote de bolacha e vou mordê-la, quando vejo o mesmo bicho. Este parece encarar-me nos olhos. Fico hipnotizada por aquele pequeno ser de oito patas. Engulo a bolacha junto com o bicho que me atormenta. Porém, a náusea me atinge.
Vou até o banheiro e vejo meu reflexo no espelho. Eu ainda sou a garota mais bonita do mundo. Começo a escovar meus cabelos, porém percebo que eles estão caindo em grandes tufos, uma praga da doença que me aflige.
Ligo a torneira e, ao lavar minhas mãos, percebo algo estranho. Pedaços de pele começam a se desprender. Minha linda pele clara não existe mais, em seu lugar vejo somente os músculos do ser imperfeito que eu sou.
Grito desesperada. As luzes se apagam e um silêncio preenche o ambiente. Tento aguçar minha audição, e escuto meu próprio grito, que parece ecoar pela casa.
Corro para sala tentando me esconder, porém sinto meus pés pesados. O tapete da sala parece areia movediça. Arrasto-me com dificuldade até um canto e sento. Tinha escutado histórias sobre pessoas com doenças terminais. Elas costumavam ver e ouvir coisas, então talvez seja tudo parte de minha imaginação.
Acordo dos meus pensamentos ao sentir pingos de chuva caírem sobre minha cabeça. Maldita casa, terrível, urbana. Sinto que a água não é límpida, mas sim vermelha, e sua consistência é diferente, parece sangue. O sangue de todos que maltratei.
Corro para a porta, mas não consigo encontrá-la. Estou trancada a mercê dos mortos que vêm me buscar, cobrando por meus pecados. O sangue sobe pelos meus pés, ao mesmo tempo, que escuto o choro das almas sofredoras.
É o meu fim. Sinto-me afogar, o ar saindo dos pulmões. Já coberta por aquela corrente sanguínea, abro os olhos e vejo uma criança. Instintivamente a reconheço, aqueles olhos da época em que minha inocência era pura. Ela estende sua mão e tento com muito esforço pegá-la, mas já não tenho forças. Nos entreolhamos e, por um instante, sinto que ainda existe esperança. Sem mais pestanejar, acabo sucumbindo.
Acordo sobressaltada com um barulho incessante na porta. A chuva cai incessantemente do lado de fora. Olho para o criado-mudo onde estão os vários remédios que fazem parte de minha vida. Maldito sonho.
Caminho até a porta de mau grado. Abro e não vejo ninguém, escuto apenas o barulho do vento que sussurra:
- Ainda há tempo.



10 comentários

  1. Oi! Muito legal o conto, gostei bastante! Bjs

    http://bazardefoto.blogspot.com

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  2. Olá Kétrin:

    Que conto tétrico, mas bem legal uma mistura de pesadelo com realidade, me faz lembrar de Kafka essa passagem com barata, besouro, inseto. Gostei.

    http://scraplivros.blogspot.com.br/

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  3. Me deixou agoniada. hahaha Muito bom, nos causa diferentes sensações. *-*
    https://pontonoconto.wordpress.com/

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  4. Amiga gostei bastante do texto.
    É um conto muito bonito. Já tem tempo que não leio nada assim sabe?
    Estava precisando ler algo.
    Mas simplesmente adorei.

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/06/resenha-spirit-animals-lacos-de-sangue.html

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  5. Que conto pequenininho. Achei legal, embora o final tenha ficado confuso

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/2015/06/desafio-de-genero-suspense-ultima-vitima.html
    Tem resenha nova no blog de "A Última Vítima", vem conferir!

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  6. Oi, Kétrin! Gostei muito desse conto, fiquei ainda mais curiosa para ler Vingança Mortal. Beijos!

    http://frases-perdidas.blogspot.com.br/

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  7. Caramba! Que conto viu, adorei. Nunca tinha lido nada da autora e gostei bastante da escrita. Só fiquei com nojinho na parte do inseto, rsrs.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura

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  8. Oi Ketrin!!
    Caramba! Fiquei aqui lendo agoniada, gostei muito da escrita da autora, adoro ler uns contos assim!
    beijos

    LuMartinho | Face

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  9. Oi Kétrin!
    Contos não são a minha praia, mas gostei bastante desse. Até fiquei curioso para ler o livro.

    Beijos
    http://ummundochamadolivros.blogspot.com.br/2015/06/tbr-de-inverno.html

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  10. Oi! Tudo bom?

    Amo contos de paixão e achei a premissa desse bem interessante.

    Beijos,
    www.falandoemlivros.com

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